Ir para página principal

Projeto pedagógico

Educação na formação presbiteral inicial

O processo de educação na formação presbiteral inicial será sempre presidido pelo princípio evangélico de que “uma pessoa vale mais que o mundo” (Stª Maria Eufrásia Pelletier/ 18..), pelo debruçar-se sobre cada pessoa,  inserida no processo, considerada única, pelo conhecimento de sua história e pela solicitude com seu caminho humano e espiritual,  para lhe proporcionar, na vivência e referência da vida comunitária e eclesial, o que indica o apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios, à luz do amor Trinitário, ao explicitar a beleza do projeto para cada ser humano: “Que por sua graça, segundo a riqueza de sua glória, sejais robustecidos, por meio do Espírito Santo, quanto ao homem interior. Que ele faça Cristo habitar em vossos corações pela fé, e que estejais enraizados e bem firmados no amor... até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 3,16-17; 4,13).

O ‘seminário’ nas suas diversificadas formas, “[...] antes de ser um lugar, um espaço material, representa um espaço espiritual, um itinerário de vida, uma atmosfera que favorece e assegura um processo formativo, de modo que aquele que é chamado por Deus ao sacerdócio possa tornar-se, pelo sacramento da Ordem, uma imagem viva de Cristo, Cabeça e Pastor da Igreja” (PDV 42).

Como experiência de ser dom de si, a comunidade exprime-se e alimenta-se pelos momentos da vida em comum. A Eucaristia, a Liturgia das Horas, a partilha da reflexão sobre a Palavra de Deus, as outras orações comunitárias, a revisão de vida e o planejamento em comum das atividades do Seminário serão momentos fortes e enriquecedores de uma dimensão comunitária que deve estar sempre presente. Também os momentos de lazer, esporte e convivência espontânea têm função enriquecedora no espaço da vida comunitária. No seu conjunto, a programação, os horários das atividades e da vida comunitária devem evitar o cansaço que é prejudicial à saúde, mas também devem educar àquela austeridade de vida e intensa dedicação ao serviço, que se exige de todo pastor (CNBB 55, 105).

Pela arte de construir a comunidade a partir de si mesmo, como dom de si, propiciam-se a autocrítica e o senso de responsabilidade no falar; desaparece aquele antigo hiato entre os que mandam e os que obedecem, entre formador e formando. Todos experimentam dificuldades no momento de chegar a acordos comuns precisamente pela existência do pluralismo de opiniões. É uma comunidade verdadeiramente educativa, sua base é o relacionamento interpessoal e a comunicação aberta.

O Seminário é o núcleo de um relacionamento fraterno e eclesial, devendo ser entendido como extensão que se espelha das famílias e comunidades de origem dos seminaristas às comunidades em que estes prestam sua colaboração pastoral, à Igreja local, ao presbitério e ao Bispo, às demais Comunidades de Formação que sejam da mesma região, ou até as outras regiões do país, à Igreja Universal e ao Papa (CDC 245 § 2º; CNBB 55, 108).

A vida comunitária tem como perspectiva dois aspectos essenciais da vida do presbítero: a comunhão com seu Bispo e o presbitério, e a convivência com o povo, do qual deve conhecer e estimar profundamente a cultura e os valores (CNBB 55, 103). O grande desafio educativo é compreender e praticar que educar é ajudar a crescer, apostando todos os esforços num processo de melhora por uma transformação pessoal direcionada pelo desenvolvimento das possibilidades do ser humano numa aproximação gradual daquilo que constitui sua própria plenitude, única e irrepetível.

A comunidade educativo-formativa se distingue pela garantia de compreensão e de efetiva vivência solidária da fé através de uma autêntica manifestação da sobriedade expressada concretamente por cada membro que compõe a vida fraterna. As distintas atitudes e as opções diante da realidade no Seminário sejam convergidas de tal forma a evidenciar exemplos de simplicidade, de partilha, de corresponsabilidade e de cuidado pelo outro. Neste tempo que exige nova postura diante do consumismo e do descuido pelo meio-ambiente, toda a comunidade é convocada a revelar sua atenção educativa através de legítimos e sensíveis compromissos e gestos concretos de economia, austeridade e sustentabilidade. 

Comunidade São João Paulo II – Propedêutico

32. Pelo período de um ano, os seminaristas admitidos pelo Processo de Discernimento Vocacional Específico e Estágio (PDVE) são introduzidos à vivência da vida comunitária, litúrgica e espiritual para edificação da identidade, espiritualidade e missão próprias do presbítero diocesano, com a inclusão de especial programa formativo para garantir conhecimento sólido da Palavra de Deus, Doutrina da Fé, e desenvolvimento e incentivos nos âmbitos da música, arte em geral e sacra, conhecimento geral, aperfeiçoamento de posturas de urbanidade e civilidade.

A organização curricular própria desse período, compondo o conjunto do processo vivencial de amadurecimento vocacional e pessoal, incluirá, conforme as necessidades dos candidatos, programa específico de preparação para o vestibular para o curso de Filosofia na PUC Minas. Consideradas as condições de cada vocacionado admitido ao período do Propedêutico e seu número, a reitoria do Seminário Arquidiocesano de Formação, em decisão feita por seu Conselho de Formação Permanente, em vista do atendimento de demandas e diferentes vivências para esse período inicial, organizará comunidades específicas, localizando-as dentro ou fora do espaço físico do Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus.

A comunidade do Propedêutico oferecerá o aprendizado e vivência da vida comunitária e a qualificação do relacionamento interpessoal.

O vocacionado, nessa etapa primeira de sua educação na formação inicial, participará de programas e projetos específicos para lhe garantir um adequado conhecimento da realidade pastoral, institucional e humana da Arquidiocese de Belo Horizonte, com inserções em contextos propícios ao amadurecimento pessoal, incluindo aqueles como possibilidade de desempenhar tarefas remuneradas ou não. Por se tratar de um período de qualificação do processo de conhecimento pessoal de cada candidato, importante será a grata tarefa dos formadores, especialmente do reitor e dos que acompanham a vida dessa comunidade, visitar e conhecer os seus familiares e integrá-los no processo, particularmente pai e mãe, oportunizando a estes a possibilidade de cooperação material e formativa.

Comunidade São Pedro e São Paulo – Filosofia

Os seminaristas considerados aptos pelo Conselho Permanente de Formação para prosseguir no processo de educação na formação presbiteral inicial, aprovados no vestibular para o Curso de Filosofia no Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa, da PUC Minas, permanecem na Comunidade de Filosofia São Pedro e Sâo Paulo por um período de três anos, previstos para a conclusão do curso acadêmico, ou até a conclusão do Bacharelado em Filosofia.

A etapa de formação da Filosofia, currículo ordinário e elenco mínimo, incluirá como meta a consolidação de uma vivência espiritual e de fé que contracene com as abordagens e estudos próprios das matérias filosóficas, com garantido e assíduo acompanhamento pessoal de cada candidato, para ajudar-lhe na qualificação existencial e humana pondo alicerces para uma maturação condizente à edificação em si do projeto vocacional na vida sacerdotal, incluindo o início da inserção pastoral específica e própria para fecundar esse processo de cimentação humana e espiritual.

O momento essencial da formação intelectual com o estudo da Filosofia leva a uma compreensão e interpretação mais profunda da pessoa, da sua liberdade, das suas relações com o mundo e com Deus. A Filosofia se revela de grande importância, não apenas pelo nexo que existe entre os argumentos filosóficos e os mistérios da salvação estudados em Teologia, à luz da fé, mas também em face de uma realidade cultural que exalta o subjetivismo como critério e medida da verdade: somente uma sã filosofia pode ajudar os candidatos ao sacerdócio a desenvolverem uma consciência reflexiva da relação constitutiva existente entre o espírito humano e a verdade, essa verdade que se nos revela plenamente em Jesus Cristo (PDV n. 52).

Candidatos em situação especial e o contexto da filosofia

Os candidatos com graduação em nível superior ingressam na Comunidade de Filosofia para cursar o elenco mínimo exigido pela Ratio Fundamentalis e pelas Diretrizes para a formação presbiteral da Igreja no Brasil (Doc) e,por discernimento do Conselho Permanente de Educação na Formação Presbiteral Inicial, poderão cumprir essa mesma exigência em diferentes condições e circunstâncias, em se considerando o bem do processo formativo de cada vocacionado. Aqueles que já possuem Filosofia, avaliadas as condições pessoais e vocacionais, podem também ingressar diretamente na Teologia, podendo, por necessidade, passar por período de propedêutico.

 Comunidade Bom Pastor – Teologia

A etapa vivida na Comunidade de Teologia seja considerada como um quadriênio de espiritualidade e vivências, articulando adequadamente a vida acadêmica, a abordagem e impostação de conteúdos, a inserção pastoral, particularmente com tarefas de coordenação, em vista de consolidar uma maturação humano-afetivo-espiritual que edifique um sujeito capaz de assumir as responsabilidades e os compromissos de testemunho próprios ao ministério sacerdotal, por uma clara compreensão do seu sentido e do alcance do seu serviço ao povo de Deus na Igreja.

No primeiro ano de Teologia a oferta de um acompanhamento bem personalizado e articulado na turma configurada seja oportunidade para qualificar um processo de passagem da etapa anterior na Filosofia ou de uma inserção na vida comunitária e nos procedimentos do processo formativo, impulsionando a configuração de um jeito de ser que permita a conquista dos traços próprios do candidato ao pastoreio do povo de Deus em gestos e atitudes de abnegação, escuta, partilha e cooperação recíproca, por uma consciência moral lúcida.

Nos anos segundo e terceiro na Comunidade de Teologia, o seminarista há de ser firmado na consciência clara a respeito da identidade do ministério presbiteral, evoluindo e consolidando seu sentido e decisão de ser servidor do sacerdócio comum dos fiéis, configurando solidez e domínio, com realismo e humildade, dos aspectos vitais e afetivos de sua condição humana, com cimentada formação para o celibato e pelo desenvolvimento de uma vida espiritual intensa fundada na caridade pastoral, nutrida por ungida experiência pessoal com Deus e na comunhão fraterna e solidária com os outros.

 

O seminarista, às vésperas da conclusão dessa etapa, deve tornar-se efetivamente capaz de inserir-se na cultura atual, conhecendo-a profundamente para nela semear a semente do Evangelho com a competência sólida, pela pregação, testemunho e organização. Deve fazer com que a mensagem de Jesus seja uma válida interpelação esperançosa para homens e mulheres contemporâneos; estar sempre aberto e consciente da necessidade de investir permanentemente no seu crescimento humano afetivo, espiritual, intelectual e pastoral, com desenvolvimento de gosto e facilidade para inserir-se como membro do presbitério na Igreja Particular, respeitoso e encantado com a história, a oferta e o testemunho dos que o precederam nesta honra de ser discípulo missionário sacerdote servidor.