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SACEJ: 95 anos formando discípulos missionários

Há, certamente, momentos em que a alegria esbarra na vida e os dias são sentidos como algo a mais do que o simples tempo que passa. Há olhares que fazem sossegar a alma; há conselhos cujo brilho dissipa sombras; há experiências capazes de restauro...
Parece, então, que o coração sente quando o encontro cheira a proximidade e na alma transborda a alegria da concórdia. Por isso, se celebrar 95 anos de um Seminário já seria o suficiente para revisitar inúmeras boas lembranças e alimentar expectativas, mas ainda é entusiasmante pensar que essa data se realiza na instalação de um Convivium.
Chega ao cume, portanto, o movimento de um êxodo físico, mas sobretudo, espiritual, de um Seminário que por 95 anos vivencia, na pessoa de cada um dos seus muitos membros – de hoje, de ontem –, o desafio de viver peregrino. Seja-nos permitido pensar, que a provocação agora imposta é a mesma que acompanha o povo de Deus desde o chamado do Senhor a Abraão, à instalação na terra prometida; ou mesmo na experiência das primeiras comunidades cristãs: o de perceber que ter os pés fixos em um espaço jamais significará estar preso, refugiar-se ou acomodar-se enquanto a alma estiver decidida pela liberdade, pelo entusiasmo, pela abertura...
Nesse sentido, que os corações se inspirem em Emaús! Inspirem-se lá onde a expectativa, que sempre se inclina sobre si mesma e prende na angústia dos próprios projetos, dá lugar ao encontro com o sentido profundo, pelo qual, secretamente, a alma ansiava. Seguramente, o translado do Seminário para o místico caminho de Emaús significará – à semelhança daqueles dois discípulos – selar, com o Nazareno, a aliança da escuta.
Sim, a aliança da escuta, que corresponde a não se permitir afastar do diálogo com o Mestre, o qual no interior nos impele a não nos distraímos d’Ele, assim como nos convida a caminhar ao lado uns dos outros. Essa aliança, é ainda, o vínculo com Aquele que é capaz de fazer o discípulo passar da ignorância ao encontro com a Verdade; é o pacto com Aquele que pode tocar com a suavidade de uma palavra o nosso mistério – em suas luzes, mas também em suas sombras – e que com a leveza de um olhar, sem conclusões apressadas, nem contextos, pode alcançar o nosso coração na verdade daquilo que ele é e, precisamente, por isso é capaz de fazer ardê-lo.
Estejamos certos: ao abrirem-se as portas do Convivium Emaus, ganha novo sentido os passos até aqui trilhados em 95 anos de história, e o presente de uma nova morada se converterá imediatamente no desafio de estar em uma escola: que nada mais do que a experiência incessante de sentir pulsar o coração e voltar para “Jerusalém”, onde os olhos abertos são capazes de ver que, em todas as coisas, está gravado: o Senhor Ressuscitou! Não é possível mais voltar ou ter medo...
Que seja um tempo de renovação e de graça! Parabéns ao nosso Seminário!