Ir para página principal

SACEJ: PROCLAMAR A PALAVRA

 

No principio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no principio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida e a vida era a luz dos homens. Jo 1,1-3

 

São João inicia o prólogo dizendo que o Verbo estava junto de Deus e que tudo foi feito por ele; se observarmos o verbo, é ele quem indica ação em uma oração. A Palavra de Deus ao nos provocar a ação traz luz e vida a nós, os homens. É neste sentido que o Santo Padre, em sua encíclica Evangelii Gaudium, exortou-nos a tornarmos uma Igreja em saída.  

O ato de sair não deve ser compreendido apenas em sua forma literal, mas deve-nos provocar uma saída de nós mesmos, de nossas convicções enraizadas em outros tempos, culturas e ideologias, nas seguranças das sacristias físicas e das ‘sacristias’ de nossos ‘achismos’. A saída deve provocar um desconforto e ,consequentemente, quebrar as estruturas fechadas e rígidas; sejam elas vindas de uma segurança trazida pelo passado ou pela idéia de uma libertação que se mascara de uma Igreja pobre para os pobres, de uma Igreja próxima dos pobres, mas que não transmite o desejo do Sumo Pontífice de criar diálogo e transmitir a misericórdia.

São João nos garante que nada foi feito sem o verbo, ou seja, nada foi feito sem a ação, sem a transformação. É por isso, que acolhendo o desejo do Papa Francisco, a nossa Arquidiocese, durante a última APD, lançou o projeto Proclamar a Palavra; um projeto que objetiva impulsionar o modo de agir de todos nós,  nos levar ao confronto pessoal com as estruturas fatídicas, que muitas vezes nos prendem a um discurso, a uma demagogia.

O Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus, que por suas estruturas formativas já inseria os seus seminaristas no contexto paroquial, sentiu-se impulsionado pelo ardor missionário da Evangelii Gaudium e pelo projeto Proclamar a Palavra que na ação transformadora do Verbo mudou suas estruturas enviando os seminaristas a outras realidades; realidades desafiadoras e que necessitavam da Palavra.

Durante as férias letivas de Junho os seminaristas foram divididos em pequenos grupos de modo a visitar os hospitais, Abrigos, APAC, Asilo, CERESP e Penitenciarias. Sair – Ser uma Igreja em Saída – é uma pequena palavra, mas que transformou os seminaristas de modo a fazê-los rever suas estruturas seguras e muitas vezes presas a modelos – de igreja e de sacerdócio, alicerçados em experiências desprovidas de misericórdia para com o diferente. 

Sair não apenas ao encontro destas realidades, mas ir de encontro dos que estão nas vilas e favelas, das pessoas simples e cheias de experiências que revelam o rosto de um Deus sofrido e esquecido, porém misericordioso. Um povo que transmite a misericórdia, por mais que aparentemente carregue consigo as marcas de uma visão do Deus do Antigo Testamento.   

Os seminaristas, ao serem usados por Deus como instrumentos, experimentam a ação do Verbo que dá vida e luz aos homens, como nos ensina São João. As missões sociais trouxeram vida nova às estruturas do seminário, que estavam por enferrujar. Simples ações que, de tão simples, provocaram uma revolução interna em cada seminarista, em cada vida, em cada trajetória, marcando-os com a misericórdia, fazendo com que eles venham a se tornar futuros pastores segundo a presciência de Deus Pai que revela sua misericórdia no Verbo.

 

Thelis Luiz Gonçalves - 1º ano de Teologia